Fazer negócios nunca foi algo simples ou fácil. Basta observar nossa cultura e a forma como muitas negociações são conduzidas. Em diversos casos, o objetivo não é que ambas as partes ganhem, mas sim obter mais vantagens que o outro. Isso quando o negócio é efetivamente concluído e os compromissos financeiros assumidos são cumpridos — tema que aprofundarei mais adiante.
Atualmente, convivemos com indicadores preocupantes, que continuam se agravando. O endividamento das famílias brasileiras (comprometimento entre receitas e despesas) atingiu níveis históricos, chegando a aproximadamente 80,9%, sendo que cerca de 29,7% já possuem contas em atraso sem condições de quitação no curto prazo. Além disso, grande parte das micro e pequenas empresas enfrentam sérias dificuldades financeiras, muitas operando com margens negativas. O número de empresas negativadas cresce, assim como os pedidos de recuperação judicial e o aumento da carga tributária.
Quando somamos todos esses fatores à conhecida cultura da malandragem, chegamos a uma situação crítica, resumida por uma expressão popular: “o urubu de cima caga no urubu de baixo”.
Esse cenário ajuda a explicar por que o spread bancário no Brasil é tão elevado. Uma parcela significativa do crédito concedido não retorna ao sistema financeiro. Em termos simples, a cada R$ 100 emprestados, R$ 33 não é recuperada. Em países como o Japão, os índices de inadimplência são de R$ 2, enquanto nos Estados Unidos permanecem entre R$ 2 e R$ 6, por essa razão, obter financiamentos ou empréstimos costuma ser um processo burocrático: documentos, comprovantes, análises e mais análises. Muitas vezes, o processo parece desenhado para cansar o solicitante e fazê-lo desistir no meio do caminho.
A falta de disciplina financeira e de comprometimento com a palavra dada faz com que, para muitas pessoas, comprar e não pagar se torne algo comum. Contrata-se um serviço e surgem inúmeras justificativas para não honrar o pagamento. Pega-se dinheiro emprestado e, quando chega a hora de quitar a dívida, a responsabilidade é atribuída a tudo e a todos, menos à própria falta de compromisso, nesse contexto, amizades e relacionamentos familiares frequentemente são colocados à prova. Faça negócios entre amigos ou parentes e observe o resultado. Existem exceções, é claro, mas elas costumam ser minoria.
Ao longo da vida, você perceberá o quanto algumas pessoas podem ser desonestas e dissimuladas. Haverá quem desvie recursos do seu negócio, quem tente prejudicá-lo judicialmente, quem peça cartão de crédito emprestado, dinheiro emprestado ou até mesmo o seu nome para assumir obrigações, muitas dessas pessoas apresentarão histórias tristes, relatos de dificuldades passadas e sofrimentos atuais para despertar sua compaixão e manipulá-lo emocionalmente. Outras surgirão com propostas de parceria, sociedade ou investimento, prometendo retornos extraordinários e resultados quase milagrosos, entretanto, quando a desonestidade prevalece, você descobre que foi apenas mais uma vítima de uma história bem contada. Por isso, antes de ajudar alguém ou fechar qualquer negócio, pesquise, investigue e procure conhecer profundamente as pessoas envolvidas.
A equação para lidar com dívidas é simples, embora nem sempre fácil de executar: fazer o que precisa ser feito. Trabalhar mais, gastar menos e buscar constantemente conhecimento para desenvolver uma mentalidade mais madura e uma postura mais assertiva diante da vida e das finanças.
Existe um provérbio africano que diz:
“Se quiser ir rápido, vá sozinho. Mas, se quiser ir longe, vá acompanhado.”
Por isso, escolha cuidadosamente suas companhias — ou melhor, seus companheiros de Batalha.
Bons negócios e uma boa vida.
Obermayer Júnio




